top of page
Blog: Blog2

Coronavírus e o mercado de livros no Brasil

  • Foto do escritor: Thaislane Xavier
    Thaislane Xavier
  • 21 de abr. de 2020
  • 3 min de leitura

[Foto: Ninocare] Estamos vivendo tempos difíceis e que ninguém imaginava viver há alguns meses. A pandemia gerada pelo Covid-19 tem afetado todos os setores da nossa sociedade, gerando inseguranças quanto ao futuro.

No Brasil, o cenário tem assustado e gerado receio pelos mais diversos motivos. Um deles é o medo de abrir falência ou ser demitido e perder sua principal fonte de renda. O mercado editorial que vinha enfrentando algumas adversidades desde 2019 se encontra em um cenário ainda pior.

Com livrarias e sebos se fechando para cumprir com o isolamento social toda uma cadeia produtiva sofre perdas. Livrarias tem pedido o adiamento de pagamentos até daqueles livros que já foram vendidos (o modelo de consignação adotado pela maioria delas, permite que peguem livros com as editoras, paguem depois de um tempo aquilo que venderam e devolvam o resto), pois apesar de “terem o dinheiro” da venda, precisam segurá-lo para pagar contas e não abrir falência pós pandemia.

As editoras, por sua vez, já investiram muito dinheiro para a publicação e venda de uma obra, e sem receber e pagar suas próprias dívidas correm riscos também. Em especial, as menores que não possuem tanto dinheiro em caixa. Nessa cadeia ainda tem autores, tradutores, freelancers, lojistas, publicitários que veem uma incerteza de como serão seus próximos meses. No fim, todos estão apenas buscando seus meios de sobrevivência e ninguém tem mais ou menos culpa.

Além disso, diversas feiras e eventos estão sendo cancelados e/ou adiados. Para quem apenas visita esse lugares pode parecer que não é algo tão importante. Porém são eles que movimentam o mercado editorial, pois há um grande investimento em publicidade e muitos direitos autorais e de publicação são comprados nesses eventos, além da venda de livros que gera um grande retorno que deixará de acontecer.

Com a incerteza econômica, os livros, que não são bens de primeira necessidade, ainda tem uma venda bem menor. Na Itália, um dos países mais afetados pela pandemia, por exemplo, até o dia 24 de março 75% da venda de livros já se via reduzida. No Brasil, em que os livros ainda são caros, tem uma demanda mais física e apenas uma parcela da população consome, às dúvidas econômicas podem ter um impacto ainda maior.

Com todo esse cenário, as editoras estão procurando meios de estarem mais próximas de seus consumidores online. Algumas disponibilizaram e-commerce, outras estão fazendo promoções, mas todos estão, de uma maneira geral, mais presentes nas redes sociais, buscando formas de diminuir os danos.

Uma das principais soluções encontradas é tentar estimular o consumo de livros digitais, ou ebooks. Para isso, elas têm feito promoções ou deixado ebooks gratuitos por um certo período de tempo. Assim, novas pessoas começam a ler digitalmente e tem chance de as vendas aumentarem, por que o produto digital tem um valor menor.

[Foto: Rodrigo Montaldi/DL]

Algumas livrarias, no entanto, saem perdendo com essa situação já que deixam ainda mais de vender. Saraiva e Cultura, que já vinham enfrentando crises, por exemplo, talvez não consigam se recuperar e abram falência.

Mas o que você, que se preocupa com o mercado editorial e entende a importância dos livros pode fazer? Bem, são tempos difíceis para todo mundo, mas se você puder compre livros físicos ou digitais.. Decidir se pela Amazon, pela livraria local, de sebos, diretamente da editora é uma discussão que vai além.

A Amazon não vai abrir falência se o consumidor deixar de comprar livros por ela e seu poderio pode crescer ainda mais, mas ela também não enfrenta problemas de caixa, então os repasses estão sendo feitos normalmente. Para a livraria local pode ser definitivo se suas portas se fecharão ou não, mas ela pode não repassar e a editora. Esta, por sua vez se não receber os repasses ou vender de seu e-commerce pode ter muito a perder. É uma cadeia altamente interligada e que um depende do outro para sobreviver, mas se puder ajudar uma parcela dela, não hesite.

 
 
 

Comentários


bottom of page