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Resenha: A Morte de Ivan Ilitch

  • Foto do escritor: Thaislane Xavier
    Thaislane Xavier
  • 26 de mai. de 2020
  • 2 min de leitura



Lançado em 1886 por um dos maiores nomes da literatura russa, e mundial, Leon Tolstoi, A Morte de Ivan Ilitch conta uma parte da vida medíocre do juiz Ivan Ilitch a partir de sua morte.


Nessa pequena novela vamos acompanhar o processo de falecimento do protagonista de uma forma bem real. O que causou sua doença fatal foi um acidente doméstico bem banal e que poderia acontecer com qualquer um. Mas esse não é o ponto central da história.


O foco na realidade é a vida, bem mediana, que ele levava. De uma família tradicional ele tinha se tornado juiz, não sem muita dificuldade, com algumas puxadas de tapete e ali tinha se acomodado. Ele vinha de uma família na qual todos seguiam a carreira do direito, mas se contentando com cargos públicos mais baixos. Então, para ele, chegar ao cargo máximo de juiz era mais que o suficiente.


Seu salário era o suficiente para levar uma vida de classe alta, não tinha boa relação com sua esposa e seus filhos, tampouco amigos. Mas parecia ser uma pessoa feliz, completa e realizada, o que no final era o mais valorizado para ele e as pessoas que o cercavam: as aparência.


Escolheu sua faculdade para seguir os passos de seu pai e seu irmão, que era o mais cômodo. Casou-se apenas porque achou que era o momento apropriado, no entanto, o matrimônio se tornou um fardo pesado demais, com constantes brigas que o faziam passar cada vez mais tempo no escritório e menos na companhia de sua esposa. Os filhos também não pareciam ter muito apreço pelo pai. E os amigos? Bem, queriam o seu cargo, logo, acredito que essas pessoas não devam ser chamadas de amigos.


Durante seus últimos dias, sua esposa se escondia no cômodo mais distante para não escutar os gritos de dor do marido que a importunavam. Nesse período seu único companheiro, além, claro, da dor, era um de seus funcionários que levantava suas pernas (única medida que diminuía um pouco seu pânico). Seu filho, que estava estudando para seguir os passos do pai, às vezes também o visitava.


Durante o velório, a esposa, procurou um de seus antigos colegas, pois queria saber como aumentar a pensão que receberia, já que seu provedor havia falecido. Seus amigos só pensavam em duas coisa: como faço para conseguir o cargo que ele ocupava e antes ele do que eu.


O final me pegou desprevenida, achei poético e precisei reler os últimos parágrafos algumas vezes, para captar todo o sentido da mensagem. Para ver se enxergava novos ângulos e novos significados. Assim como todo o resto da novela, ele faz o leitor pensar um pouquinho.


É um livro que faz o leitor refletir sobre sua vida, e porque não, sobre sua morte. Sobre o que tem feito, os caminhos que tem escolhido trilhar e o que o move. Sair dessa leitura é levá-la consigo durante mais um tempo. Chegar na última página da vontade de retornar a primeira e ler tudo de novo. A grande questão que fica e talvez de acompanhe por dias é: porque você faz o que faz?


 
 
 

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