Lançado em 1939, As Vinhas da Ira, de John Steinbeck, narra a história dos Joad. A família, assim como tantas outras, se vê obrigada a sair das terras onde eram meeiros após uma tempestade de poeira atingir Oklahoma, lugar onde viviam. Eles partem então para a Califórnia na esperança de encontrar trabalho, apenas um meio de sobrevivência, sua ambição não era se tornarem grandes proprietários, mas apenas ter o que comer e onde morar. Viver com dignidade.
Mas durante a jornada, eles percebem que esse simples sonho pode não ser tão simples assim. Há muitas outras famílias também sendo obrigadas a deixar sua terra, sendo desfeitas, morrendo de fome, enquanto outros aumentam exponencialmente suas terras e fortunas.
O livro se passa durante a depressão econômica e o autor viveu como seus personagens, o que torna sua narrativa vívida e real para os leitores. Isso chegou a tal ponto que Steinbeck foi acusado de judeu e comunista, seu livro foi queimado e proibido em escolas. Era o escândalo as denúncias que ele ali fazia a sociedade materialista da época.
Steinbeck escancarou na cara da sociedade o quão grave era a situação enfrentada pelos trabalhadores do campo durante a Grande Depressão, enquanto tantos estavam preocupados apenas com o lucro. Na época, ele chegou a ser um fenômeno de vendas, mas foi considerado chulo, obsceno e exagerado.
Não se engane, porém, não é um livro datado, tampouco representa apenas o que viviam aqueles simples meeiros do século XX. Ele tem discussões e temáticas atuais e que servem para as mais diversas sociedades. Consigo, por exemplo, facilmente imaginar nordestinos passando por percalços parecidos indo em direção ao sudeste.
Não é atoa que recebeu, em 1940, o Prêmio Pulitzer de ficção e seu autor o Nobel de Literatura, em 1962 e veio a se tornar um clássico da literatura mundial. Além disso, a obra ganhou sua versão cinematográfica, dirigida por John Ford e estrelado por Henry Fonda, que venceu dois Oscars. Seu protagonista virou música: “The Ghost of Tom Joad”, de Bruce Springsteen e todos que leem a história contida naquelas páginas saem, de uma maneira ou de outra transformados.
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