top of page
Blog: Blog2

Resenha: O Sorriso da Hiena

  • Foto do escritor: Thaislane Xavier
    Thaislane Xavier
  • 29 de abr. de 2020
  • 2 min de leitura


[Foto: Thaislane Xavier]


Uma criança está sentada a frente de seus pais. Os três amarrados, um assassino entre eles. O barulho de um alicate começa a ser ouvido a língua do pai é arrancada e a mãe, em seguida, recebe um tiro. 24 anos depois, o mesmo crime se repete dessa vez do ponto de vista do criminoso, a cena é a mesma, a família não. É assim que começa o suspense O Sorriso da Hiena de Gustavo Ávila.

O livro nacional lançado em 2016 fez um sucesso estrondoso, e não à toa. Pois tem personagens bem construídos, uma escrita envolvente, um mistério que não vai te deixar largar o livro até chegar ao fim e um final de arrepiar.

A obra vai ter dois personagens principais: Arthur, o detetive, e o psicólogo William. Enquanto o primeiro tenta desvendar o mistério por trás do caso, ou melhor, dos casos, o segundo atende as crianças que perderam os pais.

Arthur é um dos melhores personagens com que já me deparei. Com síndrome de Asperger ele tem dificuldade em se relacionar, não entende piadas ou ironias, leva tudo ao pé da letra e pode ser insensível às vezes. Mas a característica também o torna um dos melhores detetives, pois tem uma lógica incrível. Além disso, os seus diálogos são os melhores do livro.

A narrativa é em terceira pessoa e mostra a perspectiva das vítimas, do detetive, o psicólogo e do assassino, alternando sempre e construindo aos poucos um quebra cabeça. O serial killer e o motivo pelos quais as mortes acontecem são descobertos logo no início, mas começar o livro sem saber e ir descobrindo por si mesmo é a melhor forma de embarcar na leitura.

O livro é menos sobre resolver mistérios e mais sobre o que leva alguém a matar? Há algum motivo que poderia ser considerado nobre? Nascemos com alguma predestinação ou o ambiente faz com que nos tornemos bons ou ruins? Existe bom e ruim?

Faltam personagens femininas na centralidade da história. Seria lindo que fosse uma assassina, ou detetive. Mas tanto mulheres, homossexuais e o Arthur com a síndrome não são estereotipados, nem caricato. Teve uma preocupação clara do autor de buscar se informar e descobrir os pormenores daquilo que retrata em seu livro.

O Sorriso da Hiena sabe ser poético, profundo, questionador, assustador. Sabe também mexer com a cabeça do leitor e deixá-lo sem dormir, porque o que ali acontece é perfeitamente plausível e se fosse a sua família a escolhida?


 
 
 

Comentários


bottom of page